Diálogo Bardi Bill: Francesco Perrotta-Bosch

O diálogo Bardi Bill ocorre de duas maneiras. Uma é comprovada documentalmente: Max Bill não teria iniciado o contato com o Brasil caso Pietro Maria Bardi não o tivesse convidado para uma exposição no Masp da rua Sete de Abril. Este convite chegou por carta datada em 30 de junho de 1949. Dezenas de outras correspondências se seguiram até a abertura da mostra em 1 de março de 1951. Foi a primeira grande exposição individual do suíço. Como dezenas de pinturas, esculturas e cartazes de Bill aqui se encontravam, a primeira edição da Bienal de São Paulo reapresentou ao público a Unidade Tripartida e a laureou com o Grande Prêmio de escultura. Segue a troca de mensagens com o professor Bardi e, em 1953, Max Bill vem ao Brasil para fazer suas notórias e polêmicas conferências. É devido a essa sequência de fatos que neste país floresceu o concretismo de Waldemar Cordeiro e Luiz Sacilotto com o grupo Ruptura, de Ivan Serpa e Abraham Palatnik com o grupo Frente.

 

Entretanto, o diálogo Bardi Bill desenvolveu-se também numa outra dimensão intelectual: sem palavras, somente formas. Nesta, Lina Bo Bardi explicitou seu encanto pelo suíço cuja arte e arquitetura fundamentou-se na matemática “em toda a resplandecência de sua poesia integral”. Uma linha pôde ser matriz de esculturas de Max e estrutura das cadeiras de Lina. Nos trabalhos do primeiro, planos em torção intercalam o dentro e o fora; no mobiliário da arquiteta, superfícies igualmente complexas funcionam como moles moldes ao corpo. Semiesferas aqui tocam o piso encontrando um delicado equilíbrio, sejam elas esculpidas em granito ou madeira, sejam assentos de couro. Não se trata tão somente de geometria descritiva: cada um ao seu modo, Lina Bo Bardi e Max Bill desenharam formas para, com rigor, materializar sua postura ética. Naquela virada dos anos 40 e 50, Bardi e Bill tratavam o raciocínio humanista e o desenho técnico como complementares.

 

Francesco Perrotta-Bosch

O diálogo Bardi Bill ocorre de duas maneiras. Uma é comprovada documentalmente: Max Bill não teria iniciado o contato com o Brasil caso Pietro Maria Bardi não o tivesse convidado para uma exposição no Masp da rua Sete de Abril. Este convite chegou por carta datada em 30 de junho de 1949. Dezenas de outras correspondências se seguiram até a abertura da mostra em 1 de março de 1951. Foi a primeira grande exposição individual do suíço. Como dezenas de pinturas, esculturas e cartazes de Bill aqui se encontravam, a primeira edição da Bienal de São Paulo reapresentou ao público a Unidade Tripartida e a laureou com o Grande Prêmio de escultura. Segue a troca de mensagens com o professor Bardi e, em 1953, Max Bill vem ao Brasil para fazer suas notórias e polêmicas conferências. É devido a essa sequência de fatos que neste país floresceu o concretismo de Waldemar Cordeiro e Luiz Sacilotto com o grupo Ruptura, de Ivan Serpa e Abraham Palatnik com o grupo Frente.

Entretanto, o diálogo Bardi Bill desenvolveu-se também numa outra dimensão intelectual: sem palavras, somente formas. Nesta, Lina Bo Bardi explicitou seu encanto pelo suíço cuja arte e arquitetura fundamentou-se na matemática “em toda a resplandecência de sua poesia integral”. Uma linha pôde ser matriz de esculturas de Max e estrutura das cadeiras de Lina. Nos trabalhos do primeiro, planos em torção intercalam o dentro e o fora; no mobiliário da arquiteta, superfícies igualmente complexas funcionam como moles moldes ao corpo. Semiesferas aqui tocam o piso encontrando um delicado equilíbrio, sejam elas esculpidas em granito ou madeira, sejam assentos plásticos. Não se trata tão somente de geometria descritiva: cada um ao seu modo, Lina Bo Bardi e Max Bill desenharam formas para, com rigor, materializar sua postura ética. Naquela virada dos anos 40 e 50, Bardi e Bill tratavam o raciocínio humanista e o desenho técnico como complementares.

Francesco Perrota-Bosch

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